O México atravessou as primeiras décadas de seu período independente mergulhado em grande instabilidade política marcada pelo confronto entre liberais e conservadores. As leis da reforma liberal aprovadas a partir de 1856, confirmadas em 1873, possibilitaram intensificar transformações econômicas e sociais voltadas à modernização do México. Ao contrário do que pretendiam inicialmente, porém, contribuíram para desestruturar as comunidades rurais e tenderam a beneficiar os grandes fazendeiros, sobretudo a partir da ascensão de Porfírio Díaz ao poder em 1876.
Nesta época boa parte da população mexicana vivia no campo e ainda em grande parte unida às estruturas comunitárias indígenas, ameaçadas pela reforma. O Porfiriato (1876-1911) foi marcado por uma intensa modernização em parte promovida por capitais estrangeiros. No plano político, pelo autoritarismo e o favorecimento das frações da elite ligadas ao governo. A usurpação de terras pertencentes a comunidades de camponeses levou muitos deles a migrar para as grandes cidades ou submeter-se a duras condições de trabalho nas fazendas. No começo do século XX, cresceram as divergências ao regime de Porfírio Díaz. As contradições no campo, o dissenso entre elites e a forte agitação política acabaram levando à queda de Díaz e ao multifacetado processo revolucionário mexicano (1910-1917).
Neste contexto é que se destacou a figura de Ricardo Flores Magón (1873 - 1922), que com seus partidários, organizou o Partido Liberal Mexicano (PLM) em 1906. Por meio de sua militância intelectual, política e jornalística, ele empenhou-se em influenciar os grupos e atores que atuariam durante o período revolucionário. Magón também organizou grupos revolucionários que lutaram no norte do México, e que chegaram a ocupar a Baixa Califórnia. Exilado nos EUA entrou em contato com anarquistas russo-americanos Emma Goldman e Alexandre Berkman e trabalhou na difundir de livros e idéias anarquistas no México.
De formaoriginal, Magón refletiu sobreprojetos e atuaçõesque combinavam as tradiçõesnecessidadespráticas de camponeses mexicanos da épocacomteoriasradicais européias, sobretudoanarquistas. Magón foi, especialmenteimportante ao formular e proporsoluçõespararesolver o problema das comunidades camponesas. Paraele a questão da terraera uma das chaves do problemasocial mexicano. Pode-se, porexemplo, afirmarque estas formulações repercutiram, notavelmente, entre os revoltosos do “Ejército Libertador del Sur” liderados por Emiliano Zapata (1879-1919), queentão lutavam no sul do México pelapossecomunitária da terra. Suaatuação, de diversas formas, modificou a realidade mexicana. Podemos encontrartraços de Magón no famoso“Plan de Ayala” de 1911, no lema dos Zapatistas “Tierra y Liberdad” (formulado originalmentepor Magón) e na constituição mexicana de 1917, quegarantia a formacomunitária da terra aos camponeses.
De liberal a libertário
A trajetória intelectual de Flores Magón é bastante interessante, pois ele empreende uma original transformação política, motivado, talvez, pelo contato com a realidade mexicana, pela leitura de escritos anarquistas europeus e por contatos interpessoais. Ao fundar em 1906 o PLM, Flores Magón não tinha como objetivo – pelo menos declarado – uma revolução social, mas o “resgate” dos princípios liberais da Constituição Mexicana de 1856, que segundo eles tinha sido violada por Porfírio Díaz. É por isso, que seu jornal se chamará “Regeneración” (1900). Contudo, ao meio da luta política e da intensa repressão política, Magón mudou lentamente suas concepções políticas, caminhando para um ideal anarquista. A historiografia ainda apresenta muitas discrepâncias e divergências, e não há acordo de como, quando e porquê essa transformação aconteceu. Alguns autores defendem que já em 1906 Magón já possuía secretos ideais anarquistas, porém a grande maioria pensa que o anarquismo de Magón se consolidaria posteriormente ao meio da luta revolucionária. No Programa do Partido Liberal de 1906 pode-se observar uma posição revolucionária, porém ainda estritamente radical-liberal. Nesta época o PLM defende a defende a devolução das terras camponesas na forma da pequena propriedade. O programa defende também um retorno à constituição liberal, a democracia, um anticlericalismo e uma revolução política contra o regime de Díaz. Em 1911, no entanto, no Manifesto do Partido Liberal já se pode perceber claras idéias anarquistas, e uma defesa importante da revolução social e a posse comunitária da terra.
Há também uma viva polêmica com relação à identificação das influências teóricas européias de Ricardo Flores Magón e dos militantes do PLM: muitos autores identificam seus textos como uma extensão/ repetição de suas influências - autores anarquistas (Kropotkin, Malatesta, Elisée Reclus e Proudhon). Pode-se encontrar alguma influência das idéias de Kropotkin em “A Conquista do Pão” sobre a questão agrária, e de Malatesta em sua definição de partido revolucionário em “Escritos Revolucionários”.
Penso, porém, assim como o historiador mexicano Arnaldo Córdova[2], que sua transformação política foi motivada, sobretudo pelo contato com a realidade mexicana e com a intensa repressão política exercida pelo regime porfirista. Para este historiador Ricardo Flores Magón foi um precursor do reformismo dos revolucionários mexicanos. Já para o historiador francês François-Xavier Guerra[3], Magón será influenciado por escritos anarquistas europeus. Para este, Flores Magón representará a união interessante de lógicas diferentes - a do anarco-comunismo e a da tradição liberal de luta contra a opressão a incorporada a um fundo muito mais antigo, o da revolta contra o ‘mau governo’ que violou direitos. Arnaldo Córdova nos lembra, todavia, que Magón foi o revolucionário mexicano da época que melhor representou os interesses populares, foi o único que chegou a defender uma sociedade sem classes. Na questão agrária penso que foi de extrema importância a observação da realidade camponesa do México, que trazia em sua tradição, pré-colombiana (calpul) e colonial (ejidos) a forma de propriedade comunitária e autogestionária, que apesar de duramente atacada pelo “modernização” ainda resistia como forma tradicional no México da época.
[1]Augusto Patrini é bracharel emhistória (USP), Jornalista (UTP), Tradutor (Université de Caen)
[2] Córdova, Arnaldo La Ideologia de la Revolución Mexicana. La formación Del nuevo régimen. México: Ediciones Era, 1973
[3]Guerra, François-Xavier. México: Del Antiguo Régimen a la Revolución, T. II. México: FCE, 1988
sábado, 7 de março de 2009
"I make a pact with you, Walt Whitman - I have detested you long enough. I come to you as a grown child Who has had a pig-headed father; I am old enough now to make friends. It was you that broke the new wood, Now is a time for carving. We have one sap and one root - Let there be commerce between us. T'affections, and to faculties, That sense may reach and apprehend, Else a great Prince in prison lies. "
Movido contraditoriamente por desejo e ironia não disse mas soltou, numa noite fria, aparentemente desalmado; - Te pego lá na esquina, na palpitação da jugular, com soro de verdade e meia, bem na veia, e cimento armado para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não, desconversado, na beira do andaime ainda a descoberto: - Eu também, preciso de alguém que só me ame. Pura preguiça, não se movia nem um passo. Bem se sabe que ali ela não presta. E ficaram assim, por mais de hora, a tomar chá, quase na borda, olhos nos olhos, e quase testa a testa.
05/03/09 13:48 De: Cassio Rogério D.Lemos Figueiredo Para: drs1@saude.sp.gov.br Cópia: apatrini@terra.com.br Assunto: Denúncia Sta. Casa Anexo(s) :
À Secretaria de Estado da Saúde Direção Regional de Saúde-1 DD Diretora Dra. Deise Aiko Koda Por meio desta encaminhamos denúncia do Sr. Augusto Patrini contra a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (hospital sob gestão estadual), por maus tratos sofridos durante sua hospitalização. Solicitamos Vossos préstimos quanto a apurar tal ocorrência, para também pronunciar-se sobre o fato. Aguardamos seu retorno quanto às providências tomadas. Certos de contar com Vosso empenho, nos colocamos à disposição para o que couber. Atenciosamente, Cássio Rogério Dias Lemos Figueiredo Assessor Técnico da Presidência Comissão Municipal de Direitos Humanos - CMDH Fone: (11) 3397.14.00
-----Mensagem original----- De: CMDH - Comissão Municipal de Direitos Humanos Enviada em: terça-feira, 3 de março de 2009 10:53 Para: Cassio Rogério D.Lemos Figueiredo Assunto: ENC: Contato do portal - Reclamação
De: apatrini@terra.com.br [mailto:apatrini@terra.com.br] Enviada em: segunda-feira, 2 de março de 2009 20:42 Para: cmdh@prefeitura.sp.gov.br; redacao_portal1@prefeitura.sp.gov.br Assunto: Contato do portal - Reclamação
URL de acesso: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/cmdh
Mensagem enviada por Augusto Patrini Menna Barreto Gomes (apatrini@terra.com.br) [masculino]
Escolaridade: Pós-Graduação
Cidade/Estado: São Paulo/São Paulo
Carta aberta à Santa Casa de São Paulo.
São Paulo, 25 de Fevereiro de 2009. Ao
Dr. Antônio Carlos Forte e ao conselho de administração da Irmandade da Santa Casa de "Misericórdia" de São Paulo
Venho por meio desta prantear meus protestos veementes contra o tratamento dispensado aos pacientes do pronto socorro ?beneficente? desta instituição. O quadro é de descaso e degradação humana e a maioria dos funcionários é de um desrespeito e desumanidade atroz.
O que mais me escandalizou é que contrariando a Constituição Federal da República do Brasil, o corpo de seguranças mantém os pacientes em regime de reclusão de liberdade. Em meu caso específico, entrei no dia 24 de fevereiro de 2009 sofrendo com um caso de depressão. Acabara de retornar ao País, após morar algum tempo na Argentina.
Passei a noite no hospital. O pior veio pela manhã, aproximadamente às 9h00. Apesar de passar a noite em claro, sem camisa para me cobrir, depois de ter meu pedido ignorado por todos os médicos, ao tentar conversar com meu amigo que me havia levado ao hospital, fui impedido e colocado em meu quarto em privação de liberdade, o que contraria a Constituição da República.
Quando tentei sair para falar com meu amigo, que havia me trazido uma camisa, fui agarrado por seis seguranças que me seguraram violentamente, ferindo os braços e as pernas, mas também a minha dignidade.
Venho também informar que a chefe da psiquiatria endossou todos esse comportamentos e ainda expôs uma concepção de psiquiatria digna do século XIX e XX, que corroborava com a privação de liberdade e com tal violência. Além de tudo isso, afirmou que se eu quisesse um tratamento diferente, que tivesse plano de saúde, coisa que eu não tenho por ter morado na Argentina, onde nunca fui tratado com essa brutalidade, descaso e violência em uma unidade de saúde.
Diante dessa situação, considero cabível um processo no conselho de ética do hospital ou mesmo junto ao CRM-SP, uma vez que esta defendeu atos de violência e coação como formas de tratamento.
Informo que ao sair do hospital escoltado por meu amigo fui diretamente ao 4º Distrito da Polícia Civil da Capital, onde registrei uma queixa contra a Santa Casa por privação de liberdade e violência física e moral.
Também informo que uma cópia desta carta será encaminhada para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, ao Gabinete da Presidência da República, ao Ministério da Saúde, ao Ministério Público Federal, ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, à Ordem dos Advogados do Brasil, aos principais jornais do País, ao movimento anti-manicomial e ao Partido dos Trabalhadores.
Na minha opinião, uma instituição que se diz de misericórdia e beneficente - e trata seus pacientes de forma diferente, de acordo com a classe social ? e que atende no pronto socorro público seus pacientes de forma tão indiferente, ineficiente e brutal, não deveria receber um centavo do governo ou da sociedade civil.
Peço, portanto, providências quanto à violência sofridas e as pessoas que a perpetraram e defenderam - seguranças e a chefe da psiquiatria.
As leis, os costumes, concedem-lhes o direito de medir o espirito. Esta jurisdição soberana e terrível, vocês a exercem segundo seus próprios padrões de entendimento.
Não nos façam rir. A credualidade dos povos civilizados, dos especialistas, dos governantes, reveste a psiquiatria de inexplicáveis luzes sobrenaturais. A profissão que vocês exercem esta julgada de antemão. Não pensamos em discutir aqui o valor dessa ciência, nem a duvidosa existência das doenças mentais. Porém para cada cem pretendidas patogenias, onde se desencadeia a confusão da matéria e do espirito, para cada cem classificações, onde as mais vagas são também as únicas utilizáveis, quantas tentativas nobres se contam para conseguir melhor compreensão do mundo irreal onde vivem aqueles que vocês encarceraram?
Quantos de vocês, por exemplo, consideram que o sonho do demente precoce ou as imagens que o perseguem são algo mais que uma salada de palavras? Não nos surpreende ver até que ponto vocês estão empenhados em uma tarefa para a qual só existe muito poucos predestinados. Porém não nos rebelamos contra o direito concedido a certos homens - capazes ou não - de dar por terminadas suas investigações no campo do espirito com um veredicto de encarceramento perpétuo.
E que encerramento! Sabe-se - nunca se saberá o suficiente - que os asilos, longe de ser "asilos", são cárceres horríveis onde os reclusos fornecem mão-de-obra gratuita e cômoda, e onde a brutalidade è norma. E vocês toleram tudo isso. O hospício de alienados, sob o amparo da ciência e da justiça, è comparável aos quartéis, aos cárceres, as penitenciarias. Não nos referimos aqui as internações arbitrárias, para lhes evitar o incomodo de um fácil desmentido. Afirmamos que grande parte de seus internados - completamente loucos segundo a definição oficial - estão também reclusos arbitrariamente. E não podemos admitir que se impeça o livre desenvolvimento de um delírio, tão legitimo e lógico como qualquer outra serie de idéias e atos humanos. A repressão das reações anti-sociais, em principio, è tão quimérica como inaceitável. Todos os atos individuais são anti-sociais. Os loucos são as vitimas individuais por excelência da ditadura social. E em nome dessa individualidade, que è patrimônio do homem, reclamamos a liberdade desses forcados das galés da sensibilidade, já que não se está dentro das faculdades da lei condenar à prisão a todos que pensam e trabalham. Sem insistir no caráter verdadeiramente genial das manifestações de certos loucos, na medida de nossa capacidade para avalià-las, afirmamos a legitimidade absoluta de sua concepção da realidade e de todos os atos que dela derivam.
Esperamos que amanha de manha, na hora da visita medica, recordem isto, quando tratarem de conversar sem dicionário com esses homens sobre os quais - reconheçam - só tem a superioridade da forca.
ARTAUD, Antonin. Cartas aos Poderes. Porto Alegre: Editorial Villa Martha, 1979. (Coleção Surrealistas - Vol. 1)
Nunca vi paístãoracista e preconceituosocomo o Brasil - os israelenses, estadunidenses e congêneres deveriampesquisar o extremo e perversosistema de discriminação étnico-cultural-social brasileiro. Essecódigo é velado e extremamenteviolento e eficiente. Issorealmente é muitotriste!
Morei empaísescomo França e Argentina, e viajei porváriospaíses da América Latina e nunca vi relações cotidianas transpirarem tantaviolência e ódios dissimulados. Os acontecimentos, que descrevemos muitas vezescomo “subversivos” , assimcomo o carnavalou a “Maior” ParadaGay da Mundo (e mais não servem, como pensam alguns - infelizmente, paramodificar as relaçõessociais violentas e virar a ordempolítica e social, todavia ao contrário, servem - comoválvulas de escape, que ajudam a manter a ordem, a discriminação e a desigualdade. A hierarquia social no país é fortíssima. E somos ainda, emplenoséculo XXI, um país de castas! As relaçõessociais cotidianas no Brasil são pelaviolência. Observe umcaféqualquer, emqualquer cidade, como se dá a relaçãoentre “clientes” e servidores? É cordial? Quem está emqueposição? E como estão? Queposturas quevige é umapartheidsutil, invisível, masextremamenteeficiente. Observem, porexemplo, a geografia das grandescidades brasileiras... Onde estão os pobres? Os negros? Ondericos? Como funciona o transportepúblico? E as relaçõestransportepúblicorealmente promove mobilidadeentre as diferentesáreas das cidades? E o quefalarentão de nossossistemas de saúde e educação? Todossãoiguais? comercializada) da Europa e América pautadas assumem? O motoristas-pedestres? O estão os
Tenho atévergonha de escutarentre os meiosuniversitários e ditos de "esquerda" quenão há racismo e discriminação no Brasil. Sónão racismocomo outras centenas de outras formas violentas e ao mesmodiscriminação. Bastalembrarque o país é há anoscampeão comunidade GLBTT (Como disse meuamigo por se tratar de umpreconceitotácito, dissimulado - massemprelatente, pronto a se manifestar - queainda não tivemos no Brasil umativistapolítico, recentementepor Sean Penn)”. (http://msevaypoliteia.blogspot.com/) dissimuladas de velado, Harvey Milk (o de " há mundial de assassinados da bloggueiro Marcelo S. M"
Penso, modestamente, quequiçá o mito da cordialidade brasileira vêem da má interpretações dos textos de intelectuaiscomo Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro. O primeiro acusado de fazer “floreados” do regime colonial escravista, contudoque na épocaem escreveu seulivromaisconhecidoCasaGrandeSenzala, eraumhomemrelativamenteprogressista” que negou o defendido racismoentre os intelectuaisbrasileiros. SãoexemplaresintelectuaiscomoOliveira Viana, Nina Rodrigues, entreoutrosque defendiam perspectivasracistas e abertamente o “branqueamento” do Brasil. Já Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, foi mal interpretado muitas vezesquando afirma da cordialidade do brasileiro, elenão deixa de notarcertatendênciapara a dissimulação, hipócrisia e altograu de hierarquizaçãosocial. Já Darcy Ribeiro ao meuver pecou pela exaltaçãoufanista a miscigenação étnico-cultural – queemsinão é boa nemruim – e ignorou o pluralismo cultural brasileiro, resvalando, porvezes, emumnacionalismoperigoso.
O Povobrasileiro, infelizmente, está longe de sermaravilhoso: é, emmuitoscasos, racista, discriminador, alienado e superficial. O provo brasileiroque é tãohumano e capaz de maravilhas e atrocidadescomotodos os outrosprecisamesmo é de EDUCAÇÃO. Semisso, essepaís será sempreumarremedo de Nação, umgigantecompés barro.
Vita si moriendi virtus abest, servitus est, Sêneca. (Sem a virtude que sabe como morrer, a vida é servidão)
Já faz algum tempo que alguns conhecidos meus têm optado por se matar, pelo suicídio. Longe de condená-los por isso, fico pensando apenas porque uns fazem e outros não. Serão estes mais sensíveis, mais fracos? Ou os nossos tempos, mais brutos, cruéis? Não encontro nenhuma resposta razoável.Vivemos numa sociedade tão caduca que o suicídio ainda não é sequer mencionado. Não se fala dos suicídios. Não se sabe nenhuma estatística a respeito (pode ser ignorância minha, mas eu só conheço até o hoje o velho livro do Durkheim).Falamos dos “Bbbs”, da crise mundial (que a mídia torce por afetar o Brasil), do Ronaldo Gorducho, mas daqueles que optaram por morrer nem uma palavra é publicada.Como disse, não sei se hoje as pessoas se matam mais ou menos do que antigamente, mas tenho perdido amigos o suficiente para não ficar calado. O silêncio, nesse caso, não é digno ou respeitoso. Eles não eram fracos. Sensíveis, talvez. Mas tomaram decisões corajosas.Na Antiguidade, por exemplo, aqueles que, perdendo a batalha, continuavam vivos eram considerados seres indignos, pois sabiam que ao optar pela vida tornar-se-iam escravos. Nesses casos, o suicídio era sinônimo de que, mesmo derrotado, o homem ainda possuía algum valor, já que não se sujeitava a uma vida ignominiosa.O fato é que, apesar de não ser necessariamente uma escolha desonrosa, têm ocorrido suicídios em demasia (embora, assim dito, seja uma maneira tola de se expressar). Pois todo suicídio é sempre um excesso, uma falta de comedimento, assim também como a vida que temos levado.
por Marcelo S. M.
Cúrame del vacío.
Fuente:Extracción de la piedra de la locura, Continuidad, 1968.
"O Estado é onde todos bebem veneno, os bons e os maus; onde todos se perdem a si mesmo, os bons e os maus; onde o lento suicídio de todos se chama "a vida"." - Friedrich Nietzsche
"Viver de acordo com as expectativas dos outros é suicídio." - Roberto Shinyashiki "O suicídio é admitir a morte no tempo certo e com liberdade." - Friedrich Nietzsche
"O suicídio é a positivação máxima da vontade humana." - Arthur Schopenhauer
"O suicídio é um ato de heroísmo." - Sêneca
La vie n'allait pas assez vite en moi, je l'accélère. La courbe mollissait, je la redresse. Je suis un homme. Je suis maître de ma peau, je le prouve. [...] Un revolver, c'est solide, c'est en acier. C'est un objet. Se heurter enfin à l'objet. Le Feu follet (1931), Pierre Drieu La Rochelle, éd. Gallimard, coll. Le livre de poche, 1967, p. 178
Ojalá pudiera vivir solamente en éxtasis, haciendo el cuerpo del poema con mi cuerpo, rescatando cada frase con mis días y con mis semanas, infundiéndole al poema mi soplo a medida que cada letra de cada palabra haya sido sacrificada en las ceremonias del vivir. Alejandra Pizarnik, El Infierno musicalcolor
Por favor enviem e-mail de protesto!!! e repassem para seus amigos e conhecidos
___________________________________________________________ Carta aberta à Santa Casa de São Paulo.
São Paulo, 25 de Fevereiro de 2009.
Ao Dr. Antônio Carlos Forte e ao conselho de administração da Irmandade da Santa Casa de "Misericórdia" de São Paulo
Venho por meio desta prantear meus protestos veementes contra o tratamento dispensado aos pacientes do pronto socorro ?beneficente? desta instituição. O quadro é de descaso e degradação humana e a maioria dos funcionários é de um desrespeito e desumanidade atroz. O que mais me escandalizou é que contrariando a Constituição Federal da República do Brasil, o corpo de seguranças mantém os pacientes em regime de reclusão de liberdade. Em meu caso específico, entrei no dia 24 de fevereiro de 2009 sofrendo com um caso de depressão. Acabara de retornar ao País, após morar algum tempo na Argentina.
Passei a noite no hospital. O pior veio pela manhã, aproximadamente às 9h00. Apesar de passar a noite em claro, sem camisa para me cobrir, depois de ter meu pedido ignorado por todos os médicos, ao tentar conversar com meu amigo que me havia levado ao hospital, fui impedido e colocado em meu quarto em privação de liberdade, o que contraria a Constituição da República. Quando tentei sair para falar com meu amigo, que havia me trazido uma camisa, fui agarrado por seis seguranças que me seguraram violentamente, ferindo os braços e as pernas, mas também a minha dignidade.
Venho também informar que a chefe da psiquiatria endossou todos esse comportamentos e ainda expôs uma concepção de psiquiatria digna do século XIX e XX, que corroborava com a privação de liberdade e com tal violência. Além de tudo isso, afirmou que se eu quisesse um tratamento diferente, que tivesse plano de saúde, coisa que eu não tenho por ter morado na Argentina, onde nunca fui tratado com essa brutalidade, descaso e violência em uma unidade de saúde. Diante dessa situação, considero cabível um processo no conselho de ética do hospital ou mesmo junto ao CRM-SP, uma vez que esta defendeu atos de violência e coação como formas de tratamento.
Informo que ao sair do hospital escoltado por meu amigo fui diretamente ao 4º Distrito da Polícia Civil da Capital, onde registrei uma queixa contra a Santa Casa por privação de liberdade e violência física e moral.
Também informo que uma cópia desta carta será encaminhada para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, ao Gabinete da Presidência da República, ao Ministério da Saúde, ao Ministério Público Federal, ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, à Ordem dos Advogados do Brasil, aos principais jornais do País, ao movimento anti-manicomial e ao Partido dos Trabalhadores. Na minha opinião, uma instituição que se diz de misericórdia e beneficente - e trata seus pacientes de forma diferente, de acordo com a classe social ? e que atende no pronto socorro público seus pacientes de forma tão indiferente, ineficiente e brutal, não deveria receber um centavo do governo ou da sociedade civil. Peço, portanto, providências quanto à violência sofridas e as pessoas que a perpetraram e defenderam - seguranças e a chefe da psiquiatria.
Ajudemm Por favor! Por favor ajudem mandando emails de protesto e repassando essa mensagem, esta na hora de acabar com o aparato policial repressivo na psiquiatria !!!! http://www.santacasasp.org.br/