A oposição antigo/moderno, que emerge periodicamente as controvérsias dos intelectuais europeus desde a Idade Média, não pode ser reduzida à oposição progresso/reação, pois se situa fundamentalmente em nível cultural. Os "antigos" são os defensores das tradições, enquanto os "modernos" se pronunciam pela inovação. No caso especial da história, a oposição antigo/moderno introduz uma periodização, que é vista também no quatro do contraste entre concepções cíclicas e concepções lineares do tempo (…). (LE GOFF, 2003, p.173) Nas sociedade, a distinção do presente e do passado (e do futuro) implica essa escalada na memória e essa libertação do presente que pressupõem [sic] a educação e, para, além disso, a instituição de uma memória coletiva, a par da memória individual. (LE GOFF, 2003m p.210)
(…) o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores. (LE GOFF, 2003, p.525)
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 2003.
"A história é reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais. A memória um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado."
- NORA, Pierre. Entre memória e Historia. A problemática dos lugares. - In: Projeto História 10. PUCSP, São Paulo, 1993. pp. 9
"Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembrancas em que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente."
"Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. "Preguiçoso!" realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente."
"O fim dos fins, meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) Ali, pelo menos, se pode… mas estou mentindo agora também. Minto porque eu mesmo sei, como dois e dois, que o melhor não é o subsolo, mas algo diverso, absolutamente diverso, pelo qual anseio, mas que de modo nenhum hei de encontrar! Ao diabo o subsolo!"
A bengala, as moedas, o chaveiro, A dócil fechadura, as tardias Notas que não lerão os poucos dias Que me restam, os naipes e o tabuleiro. Um livro e em suas páginas a seca Violeta, monumento de uma tarde Sem dúvida inesquecível e já esquecida, O rubro espelho ocidental em que arde Uma ilusória aurora. Quantas coisas, Limas, umbrais, atlas, taças, cravos, Nos servem como tácitos escravos, Cegas e estranhamente sigilosas! Durarão para além de nosso esquecimento; Nunca saberão que nos fomos num momento.
O texto acima foi extraído do livro "Elogio da Sombra", Editora Globo/MEC - Porto Alegre, 1971, pág. 24 (tradução de Carlos Nejar e Alfredo Jacques; revisão da tradução: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz).
É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
II
Também são cruas e duras as palavras e as caras Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte É um rei que nos visita e nos cobre de mirra. Sussurras: ah, a vida é líquida.
III
Alturas, tiras, subo-as, recorto-as E pairamos as duas, eu e a Vida No carmim da borrasca. Embriagadas Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa. Que estilosa galhofa. Que desempenados Serafins. Nós duas nos vapores Lobotômicas líricas, e a gaivagem se transforma em galarim, e é translúcida A lama e é extremoso o Nada. Descasco o dementado cotidiano E seu rito pastoso de parábolas. Pacientes, canonisas, muito bem-educadas Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.
Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida
IX
Se um dia te afastares de mim, Vida — o que não creio Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida — Bebe por mim paixão e turbulência, caminha Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as) Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado vazio. Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso: compreenderá O porquê de buscar conhecimento na embriaguês da via manifesta. Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica: O êxtase de te deitares contigo. Beba. Estilhaça a tua própria medida.
Os versos acima foram extraídos dova — Rio de Janeiro, 2001, pág. 293, uma seleção de Ítalo Morico livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século", editora Objetini, publicados originalmente em "Do desejo".
Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. é por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor."
Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
El sociólogo aboga por la creación de un organismo global para contrarrestar el poder de las finanzas en su nuevo libro Mundo consumo. Asegura que ni los estados ni los organismos internacionales están preparados para este cambio
Zygmunt Bauman, creador del concepto de modernidad líquida, es uno de los principales teóricos sociales contemporáneos. - AP
CARLOS PRIETO - MADRID - 02/03/2010 08:00
Pocos autores pueden presumir de haber inventado una metáfora exitosa para describir los nuevos tiempos marcados por el desarrollo de los servicios globales de comunicación, la caída del comunismo y el triunfo del libre mercado. El sociólogo polaco Zygmunt Bauman (Poznam, 1925) es uno de ellos. Su concepto se llamó modernidad líquida. Líquida porque, según él, vivimos en un periodo marcado por la inestabilidad y la precariedad.
Bauman cree que la desregulación de los mercados se ha llevado por delante los pilares y los lazos sociales sobre los que se sostenían los países occidentales tras la II Guerra Mundial. La globalización económica no sólo ha afectado a las relaciones laborales sino a todas aquellas que vertebran el cuerpo social, incluidas las familiares y las sentimentales, tesis plasmada por el escritor en libros como Amor líquido (FCE), Vida líquida (Paidós) y Miedo líquido (Paidós).
El sociólogo polaco vuelve ahora a la carga con Mundo consumo (Paidós). Un análisis sobre las posibilidades de supervivencia del individuo ético en una aldea global en la que los gobiernos locales no son capaces de ponerle el cascabel al tigre de los mercados globales.
"Los estados-nación ya no son los soberanos de muchos aspectos de la vida común de sus ciudadanos", cuenta a Público. "Antiguamente lo que distinguía a las socialdemocracias era que creían en que el principal deber de la comunidad era proteger a todos sus miembros de las fuerzas poderosas a las que uno no puede enfrentarse solo. Los estados modernos eran suficientemente poderosos para conseguir que los intereses económicos se plegaran a los deseos políticos de la comunidad".
Todo cambió a raíz de lo que Bauman describe en Mundo consumo como "el golpe de Estado neoliberal de Reagan-Thatcher", que puso en entredicho los significados de dos conceptos que entonces parecían tan robustos como "público" y "social". La correlación de fuerzas entre política y mercado se vio bruscamente alterada. "El nuevo poder global no está sometido ahora a la supervisión política. El alcance de los estados-nación sigue siendo local, demasiado pequeño como para poder controlar a los mercados", cuenta el sociólogo a este periódico.
La gran cuestión política contemporánea es, por tanto, "si alguna fuerza política puede contener la marea de globalización desenfrenada de capital, comercio, financias, criminalidad, drogas y armas teniendo a su disposición únicamente los medios de un Estado solitario".
La respuesta es no. Y la crisis económica lo ha vuelto a poner en evidencia. Bauman critica con dureza las medidas tomadas por los gobiernos progresistas para frenar la recesión. "Cada vez es más complicado distinguir entre las políticas económicas de la derecha y las de la izquierda. Ser de izquierdas parece significar ahora hacer de un modo más riguroso el trabajo que la derecha dice que hay que hacer. Y, una vez hecho, paliar las nefastas consecuencias sociales de dicho trabajo", dice.
Acción colectiva y global
Reducida la socialdemocracia a una especie de organismo de beneficencia encargado de cuidar a las víctimas de un huracán llamado globalización económica, sólo queda saber si aún estamos a tiempo de revertir esa situación. Las recetas de Bauman pasan, para empezar, por dar un giro de volante a la deriva de la sociedad de consumo. "Actualmente se espera que sean los propios individuos los que conciban soluciones individuales a los problemas sociales. La solidaridad comunitaria ha dado paso a la competencia entre individuos. La sociedad de consumo practica una exclusión más estricta, violenta e implacable que la antigua sociedad productiva", dice el autor, que acompaña sus críticas a la globalización económica con una batería de estadísticas: hace 40 años la renta del 5% más rico de la población mundial era 30 veces mayor que la del 5% más pobre. Hace 15 años era 60 veces superior. Y en 2002, 114 veces más.
"La única respuesta posible a la globalización económica es el surgimiento de un espacio político igualmente global", cuenta. La tarea no es precisamente sencilla. Bauman sabe que la idea de crear una especie de super Estado democrático global se enfrenta al "escepticismo existente en torno a la viabilidad de una democracia posnacional o de cualquier entidad política democrática por encima del nivel de nación".
El sociólogo polaco también tiene claro que los actuales organismos de acción internacional y las instituciones universales no están preparadas para este cambio. "Parece dudoso que los actuales marcos para la política global puedan dar cabida a las prácticas del sistema político global emergente o servir como incubadoras de estas. ¿Qué podemos decir de la ONU, por ejemplo, creada con la misión de salvaguardar y defender la soberanía plena e inexpugnable de todo Estado sobre su territorio? ¿Puede la fuerza vinculante del derecho global depender de la obediencia que tengan a bien dispensar los miembros soberanos?", se pregunta. Bauman concluye que hay que empezar prácticamente de cero: "Se necesitan nuevas fuerzas para crear un foro verdaderamente global. Y estas sólo podrán afianzarse soslayando a los antiguos actores".
América en crisis
El sociólogo polaco no sólo pone en duda la capacidad de EEUU para gestionar el nuevo organismo global, sino que lo califica de país en decadencia debido, entre otras cosas, a su incapacidad para apagar los fuegos bélicos que ha provocado en otras naciones y a su enorme deuda económica: "EEUU es un país adicto al dinero importado del mismo modo que es adicto al petróleo importado. Ese dinero importado que, tarde o temprano habrá que devolver, no se gasta en la financiación de inversiones rentables sino en sostener el boom del consumo", escribe.
Pese a que tampoco tiene mucha fe en la actual Europa ("Hasta hace poco era el centro que convertía el resto del planeta en periferia, pero ya no goza de semejante privilegio y no puede tener ninguna aspiración seria de recuperar lo que perdió. De ahí el desvanecimiento de nuestra confianza"), señala cuáles son los pasos que debería dar Europa para hacernos salir del atolladero global: dejar de ver a EEUU cómo el líder natural y abandonar su obsesión por la seguridad, que parece guiar sus políticas: "Da la impresión de que está sellando sus propias puertas, al tiempo que hace muy poco (o nada) por reparar la situación que le ha inducido a cerrarlas".
Fuera como fuese, el trayecto transformador propuesto por Bauman está repleto de riesgos. "El camino es tan incierto hoy como lo era entonces, al comienzo de la era moderna y de su fase de construcción nacional y estatal. Lo peor es que no hay mapa alguno de dicho camino, por lo que cada nuevo paso se asemeja a un salto hacia lo desconocido", zanja. Buena suerte a todos, pues.
"Eu me ponho em pé de guerra e penso que já é hora de nós, os cansados deste mundo, unirmos nossas forças para acabar, de uma vez por todas, com tanta injustiça e estupidez." Vila Matas, p. 121 em Suicídios Exemplares
Brasileiros faz essa pergunta -- tema permanente desta página -- a vários brasileiros. Confira as respostas
"Eu acredito no Brasil, ou melhor dizendo, acredito em um Brasil que muitos brasileiros carregam dentro de si. São brasileiros que, apesar de toda a corrupção e hipocrisia, sobrevivem com dignidade e responsabilidade. São eles que também acreditam no poder da educação para todos e não apenas no slogan publicitário repetido há anos. Esses brasileiros encontram tempo para contribuir para uma sociedade mais justa - e isso se faz no dia a dia, nas relações familiares, profissionais e de amizade - e compreendem que se dar bem na vida a qualquer custo não é o caminho, apesar dos maus exemplos que nos cercam. Esses brasileiros nos quais acredito não são donos da verdade, estão abertos ao diálogo e querem preparar o País para o futuro próximo, encarando novos desafios com relação à tecnologia, ao planeta, às relações trabalhistas, direitos, deveres, etc... Esse Brasil, no qual acredito, ainda tem força para se indignar contra a falta de justiça, a violência, a falta de vergonha na cara daqueles que tiram dos que mais precisam e que olham para o País com indiferença. O Brasil do Tom, do Ben, das belezas naturais, da mistura de raças e credos pode ser muito mais do que uma caricatura de araras, futebol e mulatas. Precisamos seguir em frente. Aprimorando, aprendendo, reinventando." Simoninha, cantor, São Paulo (SP)
"Apesar de nossos problemas históricos de corrupção e falta de investimentos em setores fundamentais, como educação, saúde, segurança e cultura, acredito sim que o Brasil tem jeito. Desde que haja uma mudança em médio prazo de nossos representantes e nessa velha cultura de se acostumar com tudo, sem reivindicar as transformações necessárias. Precisamos agir para que isso seja possível." Éden Moraes da Costa, funcionário público, Belém (PA)
"Eu acredito que o Brasil somente vai dar 'certo' e será um lugar melhor para se viver quando as pessoas e a sociedade passarem a questionar alguns dogmas. É preciso refletir sobre o dogma do crescimento e do progresso material, o dogma do trabalho e o dogma do consumo. Esses dogmas são fontes de alienação, individualismo e atomização social. Enquanto isso não for feito por cada cidadão, o Brasil continuará a ser um País injusto e desigual. É preciso repensar os objetivos coletivos e as formas de viver e de se relacionar socialmente. Que sejam formas não mais fundamentadas em relações comerciais, mas em vínculos de solidariedade, pluralidade e liberdade. Com essas transformações, um outro Brasil é possível."Augusto Patrini Menna Barreto Gomes, historiador, tradutor e jornalista, São Paulo (SP)
"Por que não acreditar? Ou seria melhor acreditar na grande mídia que insiste em ofender nossa inteligência e tenta a todo custo embotar nossa sensibilidade? Ou em empresários social e ambientalmente responsáveis de fachada? Ou em governantes mentirosos, omissos e hipócritas? Não vou listar uma infindável série de razões econômicas, culturais, sociais, acadêmicas, artísticas, afetivas, comunitárias, todas de caráter estrita e altissimamente positivos que, mesmo diante dos descalabros e absurdos perpetrados por nossa gente de 'bem', os antigos 'homens bons' (Para quem? - eu me pergunto...), acobertados pela grande 'imprensa' e pela 'justiça'. O País e sua gente são muito, mas muito melhores do que pensam parcelas ínfimas, mesmo que bem aquinhoadas ou apadrinhadas, do ponto de vista material, da população." Ciro Hardt Araujo, editor, Vargem Grande Paulista (SP)
Original em: http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/31/textos/857/
Subitamente eu olhei para fora. Pela janela, com o vento batendo em meu rosto. Eu vi. Olhei, e com surpresa descobri: era alegria. Daquele tipo raro, gratuíta e simples: apenas plantada ali, com olhar de puro tigre.
Medo. Pânico e susto. Pois que escutei de tua boca: “eu não te amo mais”; mas no fundo, será?, o que eu sentia era uma alívio lívido? Eu olho para fora... olho para além do que me dás, para o que um dia fomos e descubro. Que.
Que tudo pode ser diferente disso do que somos, do que fomos, sei que te perdi, sei que você me perdeu, e sei que no fundo nos descobrimos.
II.
Você entra. Olha com olhos verdes pelos cantos. São tantas as sombras e obcurecências, rutilências e vapores. Você não espera nada. Você não deseja nada além da superfície pele, e dos pêlos. Você não vê, mas encontra. Os vapores, os cantos úmidos e os velhos lamacentos e cinzas espreitam-te. Devoram-te com os olhos. Mas você olha pelos cantos e nada vê. Somente espera a sensualidade das águas, e as esperas por algo que não tem nome. É a soma do teu eco, do teu oco e do mistério que nunca encontras, mas que ainda te faz ser o que és, pois que no fundo buscas, buscas, e buscas, para, além disso, tudo que é. Em alguma transcendência mágica e espiritual. Você procurou no tempo e no espaço, em outra terra, em outra substância, Mas não encontrou nada além de você transfigurado em legião, em esquizo-púrpura transfigurado. Você era o mistério que não procurava.
Pois entre vapores e escuridão, réstias de penumbra e dores, encontrei-te; a cara, a alma, as carnes. Eu navalha, espírito mistério e partido. Eu disse: "há cristais coloridos/ nos teus olhos/ vida viva nos teus dedos."
III.
Eu, nós entrei/amos, medo da escuridão. Cheio de fogos e ira. Furor. Nada esperava, nada queria, apenas um pouco de alento, de suspiros tolos e sexo impessoal. Veleidade pura e simples. Luxúria de vozes e ecos. Infinito querer de carnes e bocas. Eu/nós eramos todos, vários, uma legião... Multidão. Cético, tolo e verbo. Não queria, nem podia crer ou ter fé, em um, dois, três homens, mas no quarto, na última vez. Eu/nós, ecos das vozes da terra e do submundo, estranhamo-nos, devastando-nos, devastando. Almas perdidas, esperanças partidas, infinitos sobrepujados.
E então. Uma, duas, três gotas, e no teu rosto, eu vi. No teu rosto eu vi, vi aquilo que nem procurava, o meu rosto, os nossos rostos. Entre vapores, medos, terror e carne. Eu nem era mais a lâmina, aquela navalha cega, eu/você era mais. Era/éramos a possibilidade do fato, do encontro, e do conforto que nem mais acreditávamos. É por isso, que nesse dia, eu era tigre; escolhi tua carne, teus olhos, tuas falhas, tuas vozes, teus peitos. E louco, tenso, absorveu-me no escuro, esquecido do mundo e da rua. Minha ira tornou-se terna e eu quase quis adormecer-me em tua face/rota. Mas eu nem mais sabia o que era isso, e por isso, saiba, tive que engolir minha própria carne, meu próprio ódio. As minhas ânsias todas, e fomes, eternamente despertas e surdas. Você me torturou com teus dias, com tuas promessas não ditas, com tuas milhas, e eu, tonto, bobo, louco, suspirando senti, o que havia de sentir, que, o tempo, a carne e o espaço eram único ciclo da mesma verdade sem eco. Eu perdi-me para encontrar-me no oco. Para encontrar-te no eco.
Eu já nem sei o que digo. Escuto as vozes, vozes do tempo e do passado, hunos e hebreus parecem-me um tanto distantes, mas encontram-se tolos nas minhas vagas de esperança e poesia. Pois que eu fera não acreditava em mais nada, e que de camelo havia tornado-me leão, de súbito instante me vi criança, a dizer “sim”, e a esperar o “amor fati”.
Laura Schlessinger é uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.
Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levíticos 18:22 e não pode ser perdoada em qualquer circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra. Laura, escrita por um cidadão americano e também disponibilizada na Internet.
?Cara Dra. Laura
Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeito à Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso. Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levíticos 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.
Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis específicas e como seguí-las:
a. Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levíticos 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?
b. Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?
c. Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levíticos 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.
d. Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que eu não posso possuir canadenses?
e. Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo?
f. Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levíticos 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?
g. Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?
h. A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como eles devem morrer?
i. Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levíticos 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco).
j. Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levíticos 19:19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levíticos 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levíticos 24:10-16)? Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levíticos 20:14)?
Eu sei que você estudou essas coisas a fundo, então estou confiante que possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável. Seu discípulo e fã ardoroso.?