terça-feira, 23 de dezembro de 2008



Leveza
- Vocês não olham para os lados, e respiram o veneno que fixa os seus pés de chumbo sobre esse solo polvoroso e seco. Vocês não se olham nos olhos, vocês não olham para dentro. Vocês não sabem quem são e nem o que querem. A sua moral é a moral dos rebanhos, vocês escolhem o destino que têm. Vocês se flagelam por prazer e vingança. Vocês sentem prazer na dor, na culpa e na doença religiosa de sua crença em sua vã eternidade.
Mas agora, chegou a hora de libertar a criança. Aquela que brinca dentro de cada um, aquela que está dentro de você, preza pelos ferrolhos do cristianismo ou da ambição. Está na hora de perceber a nossa falência - intelectual, econômica e filosófica. Nossa falência é a ruína deste sistema. Deste mundo.
Este é um aviso, talvez vão. Ele vem das redes de fluxos oníricos de uma mente transviada, duplicada, deslocada, e em ebulição. Ele vêm de uma Legião, nós somos a Multidão. Esse vosso sistema “eterno” e “inevitável” implodirá, brevemente, e não será homem ou mulher, nem Deus ou Estado – pois estes que pela luz já estão bem esturricados e quase mortos, não!(esses são mumias decrepitas!) A grande hecatombe virá de onde menos esperam ou fingem não perceber. Ela virá da mãe mais carinhosa, do seio mais farto, e dos lábios mais úmidos e doces. A Natureza em revolta e fúria derrotará este “único” e “inquebrantável” sistema. As bolsas quebrarão, os bancos fecharão, e países quebrarão – e o mar avançará e o céu, como em uma velha profecia dos povos originários cairá. E isso não procurem nas estrelas, não procurem em números dos economistas e dos burocratas, não procurem em velhas profecias decrepitas, não procurem na palavra dos inúmeros e ambiciosos charlatões espirituais. Esse anúncio de desastre está ao seu lado. Olhem para suas vidas, para suas idéias, para seus afetos e para o que são. Vocês, se mirarem com atenção, e escutarem direito, verão e ouvirão: Morte e destruição. E, se nada mudar mesmo assim, os gritos de dor e pavor, serão apenas o eco do espanto idiota estampado em seus olhos, em suas inúteis montadoras falidas, em suas vitrinas vazias, e em seu comércio desarticulado. A produção e o consumo finalmente nus. Chorar? Não, do caos e da grande dor pode ainda renascer o pássaro de fogo, ou uma águia negra feita de sonhos.
Do que adiantaria chorar, culpar-se, arrepender-se. Basta olhar para frente, e entender que o presente tem que enfim ser presente, e que o que contraria a vida – seja em qualquer forma, é somente morte e destruição. Está na hora de acordar para a vida e para a leveza de ser, deixar essa criança em cada um de nós livre, sair, rodopiando por entre campos, flores e escombros, e dizer, que afinal, a vida, é o que realmente importa. Que a vida deve ser devir. Basta você perguntar-se isso nos seus atos do hoje, será vida, cria mais vida, é natureza? Por que enquanto a técnica e a ciência estiverem ancoradas ainda na luz da racionalidade seca, colheremos o que plantamos: tragédia, dor, ressacas, secas e inundações. E Chuvas – eternas., ácidas e intermitentes. Calotas que derretem e crianças que morrem, por que vocês não podem e nem sabem abandonar o progresso e o trabalho como valores supremos e totais, por que vocês se apaixonaram pelo espírito Tanatos da produção, por que vocês se apaixonaram pelo sacrifício e todas suas estúpidas religiões – laicas ou não. Por que vocês estão enamorados da morte e da destruição. A sua produção é na verdade destruição.
Por isso, somente a leveza das brizas e da poesia pode salvar o mundo, a leveza da liberdade dos que não condenam e daqueles que esquecem. Não é preciso perdoar, mas somente esquecer, para que a reatividade rancorosa não cause sempre e continua dor. É preciso perceber que viver é fazer arte, que viver é sonhar e transformar-se continuado. Que viver é deixar-se ser o que realmente é. Ou vamos escolher, viver como bárbaros tecnocráticos destruidores de vida, piores que qualquer primitiva fera, ou vamos libertar-nos para nós e para o mundo...
Vamos todos reaprender a sonhar, vamos todos pintar uma águia negra carregando duas rosas em nossos corpos – uma águia feita de sonhos púrpuras. Vamos todos cantar e esquecer toda a podridão da culpa, da ambição e da vaidade, assumamos enfim, a criança tontinha e linda que somos, e sorriamos assim leves para vida e para o mundo. Vamos cuidar da terra e de nós mesmo, cultivo filosófico, afetivo e artístico serão nossa salvação. Aprendamos a falar todas as línguas do mundo, as mais faladas, e as menos faladas, para sonharmos uma comunicação global e total, onde nossos contatos sejam humanos e verdadeiros e não maquinários e robóticos – cheios de máscaras. Cultuemos com carinho e respeito nossas mentes, nossos corpos e nossas emoções – para comunicá-los aos outros, transmitir cada vez mais vida, mais louca, alegre e estranha, como uma dionisíaca e criativa transformação. Assumir nossa pluralidade, nossa diversidade, nossa loucura, nossas travessuras, será assumir a vida, o amor e a verdadeira comunicação entre os homens. Por que o que é translúcido, suave e onírico, é mais forte do que milhões de tanques de guerra, milhões que usinas nucleares – por que assim em idéias e em sonho escolhemos a vida, impediremos a morte, a dor e o fim, e seremos salvos de nós mesmos - desta pequena inútil vida de castração e fúria em que a maioria de nós se perdeu.



Por: Augusto Patrini

Um comentário:

Menna Barreto disse...

Em 2009 MUDE o mundo, começando por você!!!

Copiei do amigo Rubis
http://www.mondovr.com/